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Terapia dos Esquemas: por que repetimos os mesmos padrões

Mulher de suéter claro sorrindo suavemente enquanto segura uma xícara, em uma cozinha com luz quente e natural

Talvez você já tenha vivido isto: uma situação nova, pessoas diferentes, um lugar diferente, e a sensação estranha de que a história é a mesma. Outra relação em que você se sente pouco visto. Outro trabalho em que você se cobra além da conta. Outra decisão adiada pelo mesmo receio de sempre. Se isso soa familiar, saiba que não é falta de esforço nem de força de vontade. A Terapia dos Esquemas oferece um olhar cuidadoso para essa experiência, sem culpa e sem pressa.

O que são esses padrões que nos acompanham

Na infância e na adolescência, todos nós precisamos de algumas coisas essenciais: sentir segurança, ser aceitos, ter espaço para ser quem somos, contar com limites carinhosos e poder expressar o que sentimos. Quando alguma dessas necessidades não encontra resposta suficiente, a gente aprende a se virar como pode. Na Terapia dos Esquemas, criada por Jeffrey Young, esses jeitos aprendidos de sentir e reagir são chamados de esquemas. Pense neles como marcas antigas, que guardam lembranças, emoções e reações do corpo, e que se acendem quase sempre antes de termos tempo de pensar.

Na época, aquele jeito de lidar com as coisas fazia sentido. Quem aprendeu cedo que precisava ser perfeito para ser querido tornou-se alguém muito dedicado. Quem percebeu que não podia contar com ninguém tornou-se muito independente. Foram formas de cuidar de si quando era o que estava ao alcance. A dificuldade aparece quando esse jeito de se proteger continua agindo em situações que já não pedem tanta proteção.

Por que o padrão volta, mesmo quando a vida muda

O que é familiar costuma parecer natural, mesmo quando incomoda. Diante de uma situação ambígua, a mente tenta entender o que acontece com base no que já conhece. Uma resposta curta de alguém pode soar como rejeição para quem carrega o medo de ser abandonado. Uma crítica pontual pode soar como prova de que não é suficiente para quem carrega o medo de falhar.

Quando o padrão não é percebido como padrão, ele passa a ser sentido como a única realidade possível, e, sem querer, tendemos a escolher situações que confirmam aquilo que já esperávamos encontrar. Isso não é uma escolha consciente nem um defeito. Aparece em coisas como se aproximar de pessoas emocionalmente distantes, ter dificuldade de receber um elogio, assumir o que não é seu ou não conseguir descansar sem culpa.

Três jeitos de lidar com o que dói

Cada pessoa encontra o seu caminho para lidar com essas marcas. Algumas se rendem e vivem como se a velha crença fosse verdade, aceitando tratamentos que a reforçam. Outras se afastam de situações, vínculos e conversas que possam despertar a dor. Outras ainda fazem o contrário do que sentem, mostrando-se muito fortes e autossuficientes para esconder o medo de depender de alguém.

Pense, por exemplo, em alguém que aprendeu que o afeto depende de desempenho. Essa pessoa pode se tornar uma profissional admirada, de enorme dedicação. Por fora, tudo parece bem. Por dentro, ela nunca sente que fez o bastante e tem dificuldade de se permitir ser cuidada. É um exemplo genérico, que não se refere a ninguém em particular.

O que muda quando você reconhece o padrão

Costuma começar pela compreensão: perceber em que situações o padrão aparece, o que você sente nesses momentos, o que passa pela sua cabeça e como as pessoas ao redor costumam reagir. Esse mapa, construído com cuidado e no seu ritmo, devolve algo valioso: a chance de notar o padrão em ação e separar o que pertence ao passado do que pertence a hoje.

Entender com a cabeça é importante, mas nem sempre basta para mudar o que se sente. Por isso, o trabalho também dá espaço às emoções ligadas àquelas necessidades que ficaram sem resposta. Não se trata de remexer o passado por remexer, e sim de viver, na relação com a terapeuta, uma experiência de acolhimento diferente da que um dia deu origem ao padrão.

Aos poucos, abrem-se novas possibilidades: pedir ajuda onde antes havia silêncio, sustentar um limite onde antes você cedia, tolerar a imperfeição onde antes exigia perfeição. O objetivo não é apagar o que você viveu, e sim diminuir o poder que esse padrão tem de decidir por você.

Os padrões também aparecem nas relações e no trabalho

Esses padrões não ficam só na vida íntima. Nos casais, o padrão de um costuma encontrar o do outro, e os dois passam a reagir ao ciclo, e não à pessoa que está ao lado. Nas famílias, atravessam gerações e aparecem nos papéis que cada um aprendeu a ocupar. No trabalho, surgem na dificuldade de delegar, na busca constante por aprovação ou na reação forte diante de uma crítica.

A experiência em Recursos Humanos e em Governança Corporativa mostra que muito do que se atribui a “estilo profissional” tem raízes em padrões pessoais que foram sendo recompensados. Entender de onde eles vêm amplia a liberdade de escolha, em casa e no trabalho.

Sinais de que vale olhar com mais carinho

Alguns sinais podem indicar que um padrão antigo está em jogo: a impressão de que a mesma situação volta com outro cenário; reações que parecem maiores do que o que de fato aconteceu; a dificuldade de mudar um comportamento mesmo sabendo que ele não ajuda; a sensação de que certas escolhas levam sempre ao mesmo lugar. Nenhum desses sinais, sozinho, diz algo específico sobre você. Eles apenas abrem espaço para uma conversa mais cuidadosa sobre a sua própria história.

Reconhecer um padrão não é se condenar por ele. Em algum momento da vida, ele foi uma forma legítima de você se proteger. Olhar para isso com respeito, e não com cobrança, costuma ser a base de qualquer mudança que dure.

Se você pensar nas situações que mais se repetem na sua vida, nas relações, no trabalho ou nas decisões que você adia, qual é o sentimento que aparece primeiro, antes de qualquer explicação, e como seria acolhê-lo com a mesma gentileza que você teria com alguém querido?

Psicóloga Sheila Lauffer Glaser

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individual. Cada processo é único.

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